Santo Sudário: ícone de mistério do Sábado Santo

“Um lençol sepulcral, que envolveu o corpo de um homem crucificado totalmente correspondente a quanto os Evangelhos nos dizem de Jesus”. 

Esta fala foi extraída da meditação do Papa Bento XVI, feita no dia 02 de maio de 2010, na ocasião em que esteve diante do Santo Sudário

O Sucessor de Pedro meditava sobre o artefato religioso enquanto um “ícone de mistério do Sábado Santo”, pois, em suas palavras, “oferece-nos a imagem de como era o seu corpo estendido no túmulo durante aquele tempo, que foi breve cronologicamente (cerca de um dia e meio), mas imenso, infinito no seu valor e significado”. 

Ao narrar a tradição do que teria acontecido na sexta-feira da Paixão, Bento XVI explicou:

“O Sábado Santo é o dia do escondimento de Deus, como se lê numa antiga Homilia: ‘O que aconteceu? Hoje sobre a terra há um grande silêncio, grande silêncio e solidão. Grande silêncio porque o Rei dorme… Deus morreu na carne e desceu para abalar o reino dos infernos’ (Homilia sobre o Sábado Santo, pg 43, 439). No Credo, nós professamos que Jesus Cristo “padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia”.

Santo Sudário

No Brasil, o Card. Odilo Pedro Scherer nos explicou que há intermináveis discussões sobre sua autenticidade, pois há quem a negue, mas também há muitos estudos sobre o sólido fundamento da tradição e da veneração ligadas ao Sudário. 

“Nele aparecem impressas, como em negativo fotográfico, as marcas da paixão sobre o corpo sem vida de Jesus: o rosto ensagüentado, a cabeça ferida pela coroação de espinhos, as costas marcadas pelos açoites, o peito furado pela lança, as mãos e os pés cravados pelos pregos. Artista ou pintor nenhum poderia tê-lo produzido”, compartilha o cardeal.

Vossa Eminência nos ensina que o Santo Sudário é uma testemunha eloquente da paixão de Jesus e da atrocidade dos seus sofrimentos, e reforça algo também dito por Vossa Santidade: ele confirma o que narram os Evangelhos. 

“Mas o Sudário é também um testemunho da ressurreição de Jesus. Os anjos anunciam às mulheres, que foram ao túmulo, bem cedo, no primeiro dia da semana: ‘Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo?  Não está aqui. Ressuscitou!” (Lc 24,5-6). Pedro e João entraram por primeiro no túmulo de Jesus e constataram que estava vazio; as faixas que envolveram Jesus estavam no chão e o pano que cobrira o rosto de Jesus estava enrolado, num lugar à parte’ (cf Jo 20, 8-9)”, complementa.

Hoje, o artefato está guardado na Catedral de Turim, na Itália, onde anualmente é celebrada a Festa do Santo Sudário, no dia 04 de maio.

Catedral de Turim, Itália.

Ao contemplarmos este ícone silencioso, somos convidados e convidadas não apenas a recordar a dor da Paixão, mas também a reconhecer a esperança que irrompe da ressurreição. O Sudário permanece, assim, como um chamado à fé e ao mistério que transforma a morte em vida nova.

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Referências:

Bento XVI – Discursos 2010, Maio.

CNBB.